
Pedro Henrique, à esquerda, e Gustavo Henrique, à direita. (Fotos: Arquivo Pessoal)
Exames periciais apontam que Pedro Henrique de Jesus e Gustavo Henrique morreram por suspeita de eletroplessão na estância localizada a 21 km da cidade de Bonito. As mortes aconteceram durante uma festa de casamento, no dia 22 de fevereiro.
O laudo pericial, resultado da vistoria no local, aponta que a hipótese inicial é de morte acidental por eletroplessão — decorrente da passagem de corrente elétrica de origem artificial pelo corpo das vítimas.
Na data dos fatos, as vítimas estavam na estância durante uma festa de casamento. Gustavo desceu da tirolesa e, ao tocar na água, foi eletrocutado, caiu e se afogou. Pedro Henrique entrou na água para tentar salvar o amigo. Ao segurar no cabo da tirolesa, o jovem sofreu uma forte descarga elétrica e também morreu.
Segundo apurado pelo Jornal Midiamax, o inquérito policial que está sendo elaborado na Delegacia de Polícia Civil de Bonito ainda não foi concluído. No entanto, o laudo técnico elaborado após vistoria na estância indica que as vítimas morreram em decorrência de choque elétrico.
Além da possível causa de morte, o laudo indica a existência de cabeamento de energia elétrica em proximidade com a estrutura metálica que sustenta o cabo da tirolesa. É destacado que tal circunstância acrescenta risco adicional aos usuários.
“No momento dos exames, com a rede de energia elétrica ativa, foi possível constatar que a estrutura que compunha a tirolesa e a tirolesa propriamente dita estavam energizadas“, diz trecho do laudo.
Marcas na vítima
No dorso do indicador direito de uma das vítimas foi constatada, no IML (Instituto Médico Legal) de Aquidauana, uma lesão compatível com ponto de entrada de corrente elétrica de origem artificial.
“Lesão apresentava bordas de coloração branco-amarelada, aspecto frequentemente associado a fenômeno eletrotérmico decorrente da passagem de corrente elétrica pelo tecido cutâneo.”
Defesa aguarda conclusão de inquérito
Na tarde desta quarta-feira (1º), o Midiamax conversou com a defesa das vítimas. Assim, o advogado Vitor Cáceres apontou que neste momento aguarda a conclusão do inquérito.
“Estamos no aguardo do exame necroscópico que ainda não foi juntado aos autos. Está faltando documento, que é do núcleo de perícia”, explicou.
Cáceres pontuou que a família aguarda por justiça. “O que a família quer é justiça. A defesa está no âmbito criminal como assistente de acusação na busca de conclusão dos inquéritos, buscando os culpados”, pontuou.
Sem certificado
Na data dos fatos, o Corpo de Bombeiros informou que o local “não possui Certificado de Vistoria emitido pela Corporação“. Além disso, o local foi notificado, multado e interditado.
“Tinha umas 10 pessoas na água tentando ajudar e, na hora que o pessoal percebeu que era choque, gritaram e pediram para sair [da água]. Pediram para o caseiro desligar a energia”, relata a noiva.
Segundo a noiva e tia dos garotos, o clima geral era de desespero. Todos os convidados estavam no local do acidente e presenciaram a cena traumatizante. “A partir das 8h, o pessoal já foi brincando, foram para a piscina, tirolesa, jogar bola, já tinha umas 50 pessoas lá. E é o que mais me entristece, porque todos viram, as crianças viram. Foi horrível, horrível. O meu filho viu o primo que ele mais amava grudado na tirolesa.”
Midiamax






