Crianças, autistas, idosos e animais são as maiores vítimas desse costume

Os fogos de artifício costumam marcar festas de fim de ano, jogos de futebol e grandes eventos ao ar livre, representando celebração e espetáculo visual, mas o barulho intenso e repentino levanta um debate sobre riscos à saúde, bem-estar e convivência social, especialmente para grupos mais vulneráveis como idosos, crianças, pessoas com transtorno do espectro autista e animais.
O que são fogos de artifício e quais riscos oferecem?
Fogos de artifício incluem tanto os modelos de alto impacto sonoro quanto os chamados fogos silenciosos, que priorizam efeitos visuais. Os fogos tradicionais podem ultrapassar 120 decibéis, nível comparável ao de um avião em decolagem, capaz de causar dor de cabeça, estresse e, em situações extremas, danos auditivos.
Por isso, o tema deixou de ser apenas questão de preferência em festas e passou a ser tratado em leis municipais, debates públicos e redes sociais, com foco em saúde pública, respeito ao próximo e redução da poluição sonora em áreas urbanas.
Como o barulho afeta idosos, crianças, pessoas com autismo e animais?
Entre idosos, o estrondo noturno pode agravar hipertensão, problemas cardíacos e distúrbios do sono, especialmente quando as explosões são prolongadas. Em crianças pequenas, os fogos podem provocar sustos intensos, choro persistente, irritabilidade e dificuldade para dormir após as comemorações.
Para pessoas com autismo, a imprevisibilidade do som e do clarão pode gerar sobrecarga sensorial, crises de ansiedade e necessidade de isolamento. Animais domésticos, com audição mais aguçada, frequentemente apresentam tremores, tentativas de fuga e até autoferimentos ao tentar escapar do barulho.
Quais alternativas existem aos fogos barulhentos?
Para reduzir danos, muitas cidades discutem ou adotam restrições a fogos com estampido, incentivando fogos silenciosos, que mantêm luzes e cores com ruído bem menor. Essa opção vem sendo utilizada em festas públicas e eventos corporativos, conciliando tradição e menor impacto sonoro.
Outra alternativa é o uso de shows de luzes com drones e projeções em prédios, que oferecem maior controle de horário, duração e riscos, além de reduzirem queimaduras, incêndios e acidentes comuns no manuseio de artefatos explosivos por pessoas sem treinamento.
Quais os principais impactos em grupos mais vulneráveis?
Os efeitos dos fogos se manifestam de forma diferente em cada grupo sensível, envolvendo reações físicas, emocionais e comportamentais. A seguir, alguns dos impactos mais comuns observados em contexto urbano e rural:
Impactos físicos e emocionais
Aumento do estresse, alterações na pressão arterial e piora da qualidade do sono.
Reações intensas
Medo acentuado, choro prolongado e dificuldade para se acalmar.
Pessoas com autismo
Crises sensoriais, agitação intensa e aumento significativo da ansiedade.
Riscos comportamentais
Fugas, autoferimentos, mudanças bruscas de comportamento e risco de acidentes.
Como reduzir danos e promover celebrações mais inclusivas?
Famílias que convivem com idosos, crianças ou pessoas com autismo podem fechar janelas, usar cortinas mais grossas e recorrer a protetores auriculares, além de explicar previamente que haverá barulho para diminuir o fator surpresa. A comunicação antecipada entre vizinhos sobre a queima de fogos também ajuda na organização e proteção de quem é mais sensível.
No caso dos animais, recomenda-se criar um ambiente acolhedor com sons constantes, como televisão ou música moderada, e, quando necessário, buscar orientação veterinária. Assim, é possível preservar o clima festivo, mas com mais responsabilidade, respeito ao bem-estar coletivo e atenção à saúde dos grupos vulneráveis.
O Antagonista






