
Vítima e suspeito na churrascaria momentos antes do assassinato. (Reprodução, Câmeras de Segurança)
A Justiça negou HC (habeas corpus) e manteve preso o acusado de matar o padeiro Eivayner Paula da Silva em uma churrascaria de Cassilândia, a 406 quilômetros de Campo Grande.
Eivayner foi assassinado com vários golpes de canivete na madrugada de 4 de fevereiro. O acusado fugiu após o crime, mas se entregou à polícia horas depois e teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.
No mesmo mês, o acusado foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Posteriormente, a defesa entrou com pedido de rejeição da denúncia, mas teve a solicitação negada pelo Judiciário.
A defesa também entrou com HC alegando falta de fundamentação e suficiência de medidas cautelares diversas. No entanto, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) entendeu que havia prova do crime, risco concreto pela violência — com uso de faca, golpes pelas costas e vítima desarmada — e que as medidas alternativas seriam insuficientes.
“O habeas corpus não comporta dilação probatória nem exame aprofundado de versões fáticas controvertidas, sendo inadequado para rediscutir circunstâncias do delito relacionadas ao mérito da ação penal”, diz trecho da decisão.
A primeira audiência de instrução e julgamento do caso foi marcada para 22 de junho, ocasião em que testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas e o réu será interrogado.
Interrogatório
Interrogado na delegacia, o suspeito disse que foi até um bar tomar cerveja com o pai, mas depois o levou embora e retornou. Lá, fez contato com uma mulher, pegou fichas de sinuca e foi até a mesa jogar com ela. Em seguida, alegou que o padeiro foi até a mesa para jogar e “apavorar” a mulher.
Na ocasião, Eivayner chamou o suspeito para “jogar sinuca apostado” e, durante a partida, teria começado a perturbar uma das mulheres do estabelecimento. Ele teria ofendido e segurado o braço de uma delas. Diante da cena, o suspeito disse que interviu para ajudar a mulher, momento em que ele e Eivayner se desentenderam.
Depois, o suspeito foi pagar a conta da boate para ir embora, mas percebeu que o valor tinha ficado muito caro porque haviam inserido produtos que ele não consumiu. O proprietário teria exigido o pagamento de tudo que estava na comanda e chamado o suspeito de ‘playboy’. Segundo ele, Eivayner se juntou ao dono da boate e começou a discutir com o suspeito, que decidiu ir embora. Ele afirmou que pagou toda a conta da boate.
Em seguida, o suspeito revelou que, próximo ao seu veículo, o dono da boate e Eivayner o estariam coagindo e ameaçando matá-lo. Eles trocaram empurrões e intimidações. O padeiro também teria chamado o suspeito de ‘playboy’ e dito que o próprio iria levá-lo embora.
Assassinato em churrascaria
À polícia, o suspeito falou que Eivayner lhe disse que teria de levá-lo até a churrascaria para pagar um chopp. Ao chegarem no estabelecimento, a vítima continuou a ameaçar o suspeito, que estava com um canivete no bolso.
Durante o interrogatório, o suspeito disse que estava com o canivete no bolso desde a hora que desceu do carro, pois pensou em usá-lo para se defender, caso fosse necessário. Ele viu que Eivayner também portava um canivete no bolso.
Na delegacia, o suspeito falou que usa medicação desde a infância e faz tratamento médico, pois algumas vezes sofre crises e “sai de seu estado normal”. Ele alegou que possui depressão, síndrome do pânico e bipolaridade.
Diante das ameaças e do fato de Eivayner portar um canivete, o suspeito disse que teve uma crise e se antecipou. Logo, pegou seu canivete e desferiu golpes contra a vítima. Ele afirmou estar arrependido, pois não é uma pessoa que costuma brigar e “nunca pensou em fazer isso na vida”.
Em seu interrogatório, o suspeito negou ter feito uso de drogas, mas afirmou que Eivayner teria usado entorpecentes naquela madrugada. Midiamax






