Bernal atirou para matar, conclui polícia em relatório enviado à Justiça

Carro funerário e policiais militares no local do crime: casa na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estado (Foto: Renan Kubota)

O problema é que parte da ação ocorre fora do alcance das câmeras, onde estavam Roberto Carlos e o chaveiro. Segundo o relato do prestador de serviço, a vítima não teve tempo para reagir. O chaveiro afirma que ergueu as mãos e se identificou, enquanto o autor se aproximava da vítima caída, ainda com a arma apontada, momento em que conseguiu fugir do local.

O depoimento da testemunha e as imagens contradizem as alegações de Bernal, que em interrogatório alegou ter atirado para frear ataque por parte de Roberto.

“Segundo o chaveiro, após abrir o portão social, ele e a vítima foram até a porta de entrada da casa. Enquanto tentava abrir a fechadura, escutou uma voz que dizia: ‘o que você tá fazendo aqui na minha casa seu filho da p…?’ Ao se virar, viu o autor na varanda empunhando uma arma de fogo em direção à vítima, tendo efetuado o primeiro disparo. Ao ser atingido, o senhor Roberto Mazzini caiu ao chão com a barriga voltada para cima. O autor continuou andando em direção à vítima, momento em que o chaveiro ergueu as mãos e disse: ‘sou apenas o chaveiro, tô fazendo meu trabalho!’ Ainda segundo o chaveiro Maurílio, o autor se aproximou da vítima, se abaixou e, com o revólver apontado em direção à barriga do senhor Roberto, começou a dizer algumas frases que ele não conseguiu compreender. Aproveitando-se da distração do autor, o chaveiro fugiu do local”, continua o relatório.

O delegado da 1ª DP (Delegacia de Polícia), que esteve no local dos fatos, faz uma única observação no documento. O laudo pericial das imagens de câmera de segurança ainda não está pronto. Esta perícia pode significar reviravolta no caso, já que a vítima não aparece no vídeo quando recebe os tiros, por estar em ponto cego, e a dinâmica do atirador, se houve aproximação e segundo disparo a queima-roupa, vai pacificar a tese de execução ou dar margem para a alegação de legítima defesa.

“Os exames periciais no local do crime, especialmente o de análise quadro a quadro da câmera de monitoramento instalada na garagem da residência, o necroscópico e o realizado na camisa da vítima, para verificar a distância em que foi realizado o segundo disparo, nos possibilitarão afirmar, com maior precisão, como ocorreram os fatos”, destaca Danilo Mansur, informando que assim que receber o resultado dos exames, enviará relatório complementar ao juízo.

Campo Grande News

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