
Vítima e suspeito na churrascaria momentos antes do assassinato. (Reprodução, Câmeras de Segurança)
Será realizada em junho, ou seja, no próximo mês, a primeira audiência de instrução e julgamento do assassinato do padeiro Eivayner Paula da Silva em uma churrascaria de Cassilândia, a 406 km de Campo Grande. O réu continua preso.
O padeiro foi assassinado com vários golpes de canivete na madrugada do dia 4 de fevereiro. O acusado fugiu após o crime, mas se entregou à polícia horas depois e teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.
No mesmo mês, o acusado foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Posteriormente, a defesa entrou com pedido de rejeição da denúncia, mas teve a solicitação negada pelo Judiciário.
Agora, foi marcada para o dia 22 de junho às 15h, a primeira audiência de instrução e julgamento para inquirição de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, além do interrogatório.
Conforme o documento ao qual a reportagem teve acesso, a sessão será realizada de forma híbrida, bem como na sala de audiências da 2ª Vara de Cassilândia.
Interrogatório
Interrogado na delegacia, o suspeito disse que foi até um bar tomar cerveja com o pai, mas depois o levou embora e retornou. Lá, fez contato com uma mulher, pegou fichas de sinuca e foi até a mesa jogar com ela. Em seguida, alegou que o padeiro foi até a mesa para jogar e “apavorar” a mulher.
Na ocasião, Eivayner chamou o suspeito para “jogar sinuca apostado” e, durante a partida, teria começado a perturbar uma das mulheres do estabelecimento. Ele teria ofendido e segurado o braço de uma delas. Diante da cena, o suspeito disse que interviu para ajudar a mulher, momento em que ele e Eivayner se desentenderam.
Depois, o suspeito foi pagar a conta da boate para ir embora, mas percebeu que o valor tinha ficado muito caro porque haviam inserido produtos que ele não consumiu. O proprietário teria exigido o pagamento de tudo que estava na comanda e chamado o suspeito de ‘playboy’. Segundo ele, Eivayner se juntou ao dono da boate e começou a discutir com o suspeito, que decidiu ir embora. Ele afirmou que pagou toda a conta da boate.
Em seguida, o suspeito revelou que, próximo ao seu veículo, o dono da boate e Eivayner o estariam coagindo e ameaçando matá-lo. Eles trocaram empurrões e intimidações. O padeiro também teria chamado o suspeito de ‘playboy’ e dito que o próprio iria levá-lo embora.
Assassinato em churrascaria
À polícia, o suspeito falou que Eivayner lhe disse que teria de levá-lo até a churrascaria para pagar um chopp. Ao chegarem no estabelecimento, a vítima continuou a ameaçar o suspeito, que estava com um canivete no bolso.
Durante o interrogatório, o suspeito disse que estava com o canivete no bolso desde a hora que desceu do carro, pois pensou em usá-lo para se defender, caso fosse necessário. Ele viu que Eivayner também portava um canivete no bolso.
Na delegacia, o suspeito falou que usa medicação desde a infância e faz tratamento médico, pois algumas vezes sofre crises e “sai de seu estado normal”. Ele alegou que possui depressão, síndrome do pânico e bipolaridade.
Diante das ameaças e do fato de Eivayner portar um canivete, o suspeito disse que teve uma crise e se antecipou. Logo, pegou seu canivete e desferiu golpes contra a vítima. Ele afirmou estar arrependido, pois não é uma pessoa que costuma brigar e “nunca pensou em fazer isso na vida”.
Em seu interrogatório, o suspeito negou ter feito uso de drogas, mas afirmou que Eivayner teria usado entorpecentes naquela madrugada.
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