Família pede justiça por eletricista morto por motorista bêbado e sem CNH

Gustavo Henrique de Oliveira Dias, preso pela morte no trânsito (Foto: Bruna Marques)

Faltando apenas dois dias para o Dia dos Pais, a família de Wilder dos Santos Rodrigues, de 37 anos, tenta encontrar forças para enfrentar a perda de quem descreve como um homem simples, trabalhador e apaixonado pelos filhos. Enquanto organiza o velório e aguarda a chegada do filho que mora em São Paulo, a família também faz um apelo para que a morte do eletricista não seja tratada como apenas mais um acidente de trânsito.

“Eu sei que nada vai trazer meu irmão de volta. Mas ele precisa pagar pelo que fez. O que eu quero é justiça”, desabafa a irmã, Lucimeire dos Santos.

Wilder morreu na manhã desta sexta-feira (7), depois de bater a motocicleta que conduzia contra um Volkswagen Golf durante uma manobra de ré na Rua Montese, na Vila Olinda, em Campo Grande. A polícia prendeu em flagrante o motorista do carro, Gustavo Henrique de Oliveira Dias, de 28 anos. O teste do bafômetro apontou 0,88 miligrama de álcool por litro de ar expelido, e a polícia também constatou que ele não possuía CNH (Carteira Nacional de Habilitação)

Corpo de motociclista ao lado de moto e próximo do carro envolvido em acidente (Foto: Bruna Marques)

Para Lucimeire, no entanto, a prisão é apenas o começo. “Eu acho muito injusto. A gente vê tantos casos acontecendo e parece que tudo acaba ficando por isso mesmo. Eu espero que a Justiça faça a parte dela.

A dor é ainda maior porque a despedida acontece justamente na semana em que Wilder passaria mais um Dia dos Pais ao lado da família. Ele deixa dois filhos: uma menina de 10 anos, em Campo Grande, e um rapaz que vive em São Paulo, onde busca realizar o sonho de se tornar jogador de futebol. O jovem embarcou às pressas para Mato Grosso do Sul após receber a notícia da morte do pai.

“Meu sobrinho está vindo de São Paulo. Imagina chegar aqui para encontrar o pai desse jeito”, diz a irmã, emocionada.

Wilder deixa a esposa e dois filhos (Foto: Redes Sociais)

Caçula da família, Wilder era conhecido por nunca recusar trabalho. Atuava como eletricista e também fazia instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado. Segundo a irmã, era daqueles que saíam cedo de casa e só voltavam quando o serviço terminava.

“Ele era um homem trabalhador. Fazia de tudo. Sempre correu atrás das coisas dele. Era um pai presente, um homem de família.”

Na manhã do acidente, a rotina era a de sempre. Wilder saiu de casa, deixou a esposa no trabalho, levou a filha e, em seguida, seguiu de motocicleta para mais um dia de serviço. Ainda carregava a mochila de trabalho quando sofreu o acidente.

“Ele só estava indo trabalhar”, resume Lucimeire.

Além do luto pela morte do irmão, ela vive outro momento delicado. A filha, de apenas cinco meses, segue internada desde o nascimento, situação que, segundo ela, agravou o impacto da perda.

“Minha bebê está internada desde que nasceu. Eu já não estava bem emocionalmente. Agora aconteceu isso. Está muito difícil.”

Mesmo em meio à dor, Lucimeire procurou a reportagem porque teme que o caso perca força com o passar dos dias.

“Quanto mais as pessoas falam, quanto mais aparece, parece que a Justiça anda. Eu só quero que o meu irmão não vire mais um número.”

Investigação – Segundo a Polícia Civil, Gustavo Henrique de Oliveira Dias foi autuado, inicialmente, por homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravantes pela embriaguez ao volante e por dirigir sem possuir habilitação.

Conforme informado pelo delegado-adjunto da 4ª Delegacia de Polícia, Francisco Antônio Moreira, a dinâmica do acidente ainda será esclarecida durante o inquérito policial, com análise de imagens de câmeras de segurança, perícia e depoimentos de testemunhas.

Campo Grande News

 

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