
Local onde a mulher foi encontrada morta. (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)
O cardiologista de 78 anos e marido da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi preso após a Justiça decretar sua prisão preventiva na sexta-feira (14). O homem é investigado no caso envolvendo a morte de Fabíola, que foi encontrada morta com perfuração de tiro na região da cabeça. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
Posteriormente, equipes da Deam foram até o local, juntamente com a Perícia Criminal.
‘Prisão descabida’
De acordo com José Belga Trad, advogado do médico, a prisão com o inquérito não finalizado é “descabida”. Confira a nota na íntegra:
“Prisão descabida. O inquérito não foi concluído e o processo nem começou. A verdade precisa ser apurada no processo e para tanto é indispensável, elementar, fundamental, que o investigado e sua defesa sejam ouvidos e tenham o direito de produzir as suas provas e contestar as provas produzidas pela investigação. Isso se faz durante o processo, que nem começou, porque sequer denúncia há contra o Dr João. Vamos tomar as providências contra esse temerário decreto de prisão.”
Família nega suicídio de fisioterapeuta em Campo Grande
A família da fisioterapeuta Fabíola Marcotti voltou a afirmar que ela não cometeu suicídio. O caso ocorreu no dia 18 de maio, quando a mulher foi encontrada em uma casa na Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
Apesar de o inquérito policial conduzido pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) ainda não ter sido concluído e o MPE (Ministério Público Estadual) ter concedido um prazo de mais 60 dias, a família, em nota encaminhada à imprensa por meio do advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, voltou a afirmar que não acredita na hipótese de suicídio.
“Desde o primeiro momento, tentaram colocar sobre sua morte uma explicação pronta, fria e conveniente. Mas a família conhece Fabíola. Por isso, afirmamos com toda a firmeza: não aceitamos a tese de autoextermínio”, diz trecho da nota.
Inclusive, a família afirma não ter pressa nas investigações, uma vez que o caso precisa ser apurado com o máximo rigor. “Para a família, Fabíola foi morta. E foi morta por ser mulher, dentro de um contexto que precisa ser apurado com o máximo rigor, sem pressa, sem omissões e sem qualquer tentativa de apagar a verdade”, detalha a nota.
Por fim, finalizam a nota reforçando que nenhuma versão conveniente precisa ser aceita sem confronto com a prova. “O que pedimos é simples: que Fabíola não seja silenciada. Que sua morte não seja diminuída. Que nenhuma versão conveniente seja aceita sem confronto com a prova. Que nenhuma mulher seja transformada em estatística sem que antes se busque, até o fim, a verdade.”
Midiamax





