Com 37 assassinatos, MS lidera violência contra indígenas pelo 5º ano consecutivo

Indígenas feridos em terra indígena de Caarapó. (Foto: Comissão de Direitos Humanos)

Mato Grosso do Sul foi, pelo 5º ano consecutivo, o Estado com maior violência contra a pessoa indígena. Em 2025, foram registradas 41 mortes, sendo 37 assassinatos e quatro homicídios culposos. Ao todo, foram 102 casos de violência, e esta é a primeira vez que o Estado ultrapassa 100 ocorrências.

Desses crimes, os únicos em que MS não liderou foram: ameaça de morte (0 caso), assassinatos (37 casos, 3ª posição) e ameaças várias (3 casos, 2ª posição). Roraima foi o estado com mais assassinatos, com 82, seguido pelo Amazonas, com 47, que também registrou cinco ameaças várias e ficou à frente de Mato Grosso do Sul.

No Brasil, foram registrados 474 casos de violência contra a pessoa indígena em 2025, sendo 21% apenas em MS. O estado sul-mato-grossense também foi o 2º com mais violências contra o patrimônio (192) e suicídios (42), além de ser o 4º com mais violências por omissão do Poder Público (39).

Assassinatos

O Brasil registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025. Foram 194 homens e 64 mulheres mortos, com predominância de pessoas de até 29 anos (52,7%). O registro representa um aumento de 22% em relação aos 211 assassinatos contabilizados em 2024.

Além disso, a série histórica mostra uma crescente desde 2021, quando ocorreram 176 assassinatos, seguidos por 180 em 2022, 208 em 2023, 211 em 2024 e 258 em 2025.

Em Mato Grosso do Sul, foram 37 assassinatos no último ano, aumento de 12% em relação aos 33 registrados em 2024. Das 37 vítimas, 33 eram homens e quatro mulheres. O índice ficou próximo à média do Estado dos últimos seis anos, de 36,6 assassinatos por ano.

O levantamento próprio do Cimi detalhou 18 assassinatos ocorridos em MS. Dourados foi o município mais citado, com sete assassinatos. Apesar de nem todas as vítimas terem sua etnia divulgada, a mais frequente foi a Guarani-Kaiowá, com seis mortes.

O relatório também destaca os casos de Clanderson Vilhalva Arce, jovem de 20 anos morto a golpes de machado, decapitado e esquartejado, e de Junior Concianza Severino, de 24 anos, com diagnóstico de deficiência psicossocial e morto durante abordagem policial.

Abuso de poder

Mato Grosso do Sul liderou o índice de abuso de poder em 2025, com sete casos. Os indígenas relataram “intensificação da presença e das rondas ostensivas de policiais”, “pressão contínua da polícia” e “forte impacto emocional e psicológico sobre a comunidade, especialmente entre crianças e idosos”.

Intimidação e repressão policial foram os meios mais usados, que serviam, principalmente, como forma de pressionar a retirada dos povos originários das terras indígenas.

Em 2024, o Estado havia registrado dois casos de abuso de poder, enquanto o ano anterior teve seis casos contabilizados.

Lesão corporal

Dos 33 casos de lesão corporal registrados no país, mais da metade (18) ocorreu em Mato Grosso do Sul. As ocorrências envolvem diversos esfaqueamentos, violência doméstica, acidentes e assaltos.

No entanto, também há um caso de quatro indígenas, sendo três mulheres e um adolescente de 14 anos, atingidos por disparos de balas de borracha de policiais militares. Na ocasião, as vítimas participavam de um protesto. Além delas, cinco pessoas, incluindo duas gestantes, sofreram intoxicação pela fumaça das bombas de gás.

Midiamax
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