Quase 57 mil bebês não têm o nome do pai no registro, mas quem liga?

São quase 57 mil bebês, segundo dados disponibilizados no novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil. (Foto: Cleber Gellio)

São quase 57 mil bebês, segundo dados disponibilizados no novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil. (Foto: Cleber Gellio)

Aposto que você conhece não só um, mas vários casos de pais que não assumiram seus filhos ou que até se deram ao trabalho de registrá-los, porém se cruzarem com eles na rua sequer os reconhecem. Acertei? Não, você não é exceção. Somente neste ano, que ainda não findou o primeiro trimestre, a quantidade de crianças registradas apenas com o nome da mãe bateu recorde.

São quase 57 mil bebês, segundo dados disponibilizados no novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil, intitulado Pais Ausentes e lançado pela Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), maior número desde 2018.

Praticamente uma epidemia de irresponsabilidade, só que para a cara de pau desses homens não há vacina.

E quem paga a conta é a mãe que se vê sozinha para criar o filho, carregando não só o peso de formar um ser humano, como o julgamento por estar solo. (Foto: Ilustração: Angélica Chamorro)
Por que será que dígitos tão significativos assim não tomaram as manchetes, as rodas de fofoca ou os grupos da família no celular? Porque a sociedade tem fatia nessa torta de culpa. Vai me dizer que nunca ouviu que foi a mulher quem não soube escolher um pai decente ao filho, ou pior, foi logo se relacionando com quem não presta? Homem é assim mesmo. É da natureza deles. Saem por aí fazendo filho, fazer o que? Cabe a mulher saber aonde se mete, não é mesmo?

Não, não é mesmo. Se a notícia fosse o contrário seria espalhada feito fogo em mato seco. A naturalização do abandono paterno reverbera ao longo história da humanidade, sempre alicerçada pela desculpa de que “isso é coisa de homem”.

E quem paga a conta é a mãe que se vê sozinha para criar o filho, carregando não só o peso de formar um ser humano, como o julgamento por estar solo, a sobrecarga com a demanda da criança, a falta de grana, a perda da liberdade e a lista de consequências emocionais trazida pela ausência paterna.

Até quando homens não serão responsabilizados por seus atos enquanto mulheres são massacradas dia após dia seja qual for o maternar dela? Por que homens que simplesmente ignoram a existência de suas crias não são duramente confrontados como ocorre quando uma mulher diz não desejar a gestação? A desproporção presente na reação social é gritante quando os papéis estão trocados. A compulsoriedade pesa somente no ombro feminino.

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tenta auxiliar, já que em caso de negativa do genitor, a mãe pode indicá-lo no cartório para que os órgãos competentes iniciem processo de investigação de paternidade.

Vale lembrar que esses são dados oficiais, não levando em consideração os pais que registram, mas sequer pagam pensão aos filhos ou mantém comunicação com eles. Caso fossem contabilizados, sabemos, o total seria infinitamente maior.  CAMPO GRANDE NEWS

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