Perseguida por diretora, professora diz que assédio moral a adoeceu e levou a tentativas de suicídio

Gabriel do Carmo

Uma professora da rede municipal de ensino de Campo Grande afirma estar afastada há 7 anos após sofrer assédio moral e psicológico em unidades onde trabalhou, em especial uma escola localizada no Bairro Jardim Santa Emília. Em relato enviado ao TopMídiaNews, ela descreve um ambiente de pressão constante, perseguição por parte da gestão escolar e impactos graves na saúde mental, que teriam levado até a tentativas de suicídio.

A docente, que atua desde 2011 como pedagoga, conta que os episódios começaram ainda durante o período em que trabalhava em duas escolas da rede. Segundo ela, a diretora a submetia a humilhações frequentes, críticas constantes e alegações de denúncias que, posteriormente, não foram confirmadas pela Semed (Secretaria Municipal de Educação).

“Todo ano ela dizia que havia uma denúncia contra mim. Depois que tentei suicídio, procurei a secretaria e descobri que nunca existiu nenhuma denúncia”, relatou.

A professora afirma que, apesar de ser considerada uma profissional dedicada e ter recebido avaliação positiva em ficha funcional, era alvo de comentários negativos e desqualificações. Ela também diz que desempenhava funções além das suas atribuições, organizava atividades para arrecadação de recursos e colaborava com melhorias na estrutura da escola.

Mesmo assim, segundo o relato, o ambiente de trabalho era marcado por pressão psicológica constante. “Eu trabalhava de manhã, tarde e noite. À noite não recebia, era só para compensar com folgas. Era muita cobrança, muita humilhação”, disse.

A situação, conforme a professora, evoluiu para um quadro grave de saúde. Ela relata que desenvolveu problemas físicos e psicológicos, passando a depender de medicação e acompanhamento médico. Hoje, diz não conseguir mais entrar em sala de aula.

“Quando ela me chamava, eu já começava a tremer. Hoje vivo à base de remédios fortes. Já tentei suicídio várias vezes”, afirmou.

A docente também relata que buscou apoio da prefeitura, mas afirma que não houve solução. Atualmente, ela está afastada pelo INSS e aguarda nova perícia médica, prevista para os próximos meses, sem saber se poderá retornar à profissão.

Além da própria situação, a professora afirma que outros colegas também enfrentam problemas semelhantes. Segundo ela, há relatos de profissionais medicados e sob pressão nas unidades escolares.

“Era para ser uma profissão de alegria, mas o que adoece o professor são os gestores”, disse.

Ela também questiona práticas administrativas, como o encaminhamento de professores ao atendimento psicológico mesmo em casos de afastamento por problemas físicos, o que, segundo ela, gera ainda mais desgaste entre os profissionais.

A reportagem procurou a prefeitura para falar sobre o caso, mas, até a publicação desta matéria, não teve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras. Top Midia News

 

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