Crônicas da Vida: A triste vida de uma moradora de rua

Mulher sem nome e sem identidade

Tem 8 meses que eu tô na rua. Eu tenho minha profissão, mas ninguém dá oportunidade pra quem tá numa calçada. Eu fui casada muito tempo, tive uma decepção, mas eu acho que a fé em Deus livra qualquer um.
A gente anda num salto e quando o salto quebra a gente fica como? A gente fica descalça. Eu sei o que é bom e o que é ruim, às vezes eu fico sentada lembrando. Sabe o que é ter tudo dentro de uma casa? A gente sente falta de tudo: de amor, de carinho, de tá numa cama assistindo uma televisão, ou num fogão fazendo uma comida. A gente conhece pessoas boas e pessoas ruins na rua.

Tem que ficar atenta em tudo, então a gente não dorme direito, tem gente que não gosta de morador de rua e aí vem e agride. Eu gosto de ficar em lugar movimentado, mas por isso eu vou dormir às vezes só umas 4h ou 5h da manhã. Mas tem uns vizinhos que ajuda, dá roupa, um ou outro para e conversa. Eu tinha uma cachorrinha bonita, de 4 meses, mas faz dois meses que me roubaram ela. Isso me abalou um pouco sabe? SP Invisível

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