Sensibilidade de bombeiros ajuda a salvar mãe e seis filhos de cárcere

Imagem ilustrativa (Ana Laura Menegat, Jornal Midiamax)

Uma ligação curta, de pouco mais de 1 minuto, interrompida pelo silêncio, foi suficiente para despertar a atenção de militares do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul e desencadear o resgate de uma mulher mantida em cárcere privado com os seis filhos, em Campo Grande. Sem conseguir informar o endereço ou explicar o que acontecia, ela apenas pediu ajuda antes que a comunicação fosse interrompida. A sensibilidade e a persistência dos bombeiros foram decisivas para que a vítima fosse localizada e retirada em segurança da casa durante a madrugada.

O pedido de socorro chegou ao telefone de emergência do Corpo de Bombeiros por volta das 2h30 de 1º de maio. Do outro lado da linha, uma mulher disse apenas: “Emergência, por favor, ele pulou o muro de casa”. Em seguida, a ligação ficou muda.

Apesar do silêncio, a vítima não desligou o telefone. O cabo do Corpo de Bombeiros que atendeu a ocorrência percebeu que algo estava errado ao ouvir uma voz masculina ao fundo. Sem informações sobre a localização da mulher, mas convencido de que poderia se tratar de uma situação de risco, ele decidiu registrar a ocorrência utilizando o endereço da própria corporação para gerar um protocolo e garantir que o caso não fosse perdido.

A situação foi repassada a uma sargento, que dias antes tinha participado de um curso do Ministério da Justiça sobre como ajudar vítimas de violência doméstica. A sargento tentou retornar a ligação por duas vezes. As chamadas foram atendidas, mas ninguém falava. Diante da suspeita de que a mulher não pudesse se comunicar livremente, a militar enviou uma mensagem por WhatsApp.

A resposta foi de que ela estava em cárcere privado. “Preciso de ajuda. Ele vai me matar”.

Com a confirmação do pedido de socorro, a sargento acionou imediatamente o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) e solicitou apoio urgente. Durante a troca de mensagens, a vítima conseguiu informar detalhes que ajudaram na localização do imóvel e alertou os policiais de que poderiam encontrar a residência com as luzes apagadas.

A vítima disse então que mesmo sem sinais aparentes de movimentação, os policiais deveriam entrar na casa.

Quando a equipe policial chegou ao local, todas as luzes estavam apagadas. Os militares conseguiram localizar a mulher e os seis filhos dentro da residência. Ao perceber a presença policial, o agressor ameaçou matar a vítima caso os policiais entrassem na casa.

O homem se escondeu em um dos cômodos, enquanto os policiais buscavam uma forma segura de retirar a família. Em um momento de descuido do suspeito, a vítima pegou a chave do portão.

O homem apresentou resistência, mas acabou detido e encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Midiamax

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